13 de abr. de 2012

Família

     Simplício vive com sua tia, irmão e prima. Religiosa determinada tia Domingas o consolava sempre que o via amargurando-se da vida. Suas consolações eram sempre de acordo com as duas idéias religiosas. Para ela a miopia física é um imenso beneficio da providência,  porque assim Simplício não se expõe as tentações do diabo, que ataca o pecador pelos olhos.  Devido a linha de pensamentos da tia Domingas, Simplício se nega a dizer  amém as consolações da tia: seria capaz que ela pedisse a Deus pela completa bem-aventurança do sobrinho, o tornando surdo, mudo e paralítico. Afim de não ter meios de cair nas tentações.
     Seu irmão, mano Américo, é descrito como homem bondoso e de alma santa, que presta o favor de administrar os negócios e finanças de Simplício. Sem jamais reclamar desse fardo:

 “- Inocente  Simplício! Não serei tão egoísta que te abandone às ciladas dos homens sem consciência, que devorariam a tua fortuna. A minha dedicação é na verdade pesada; mas é um dever e Deus a abençoa.”

     A prima Anica tem o apólogo como seu capricho, consegue facilmente agradar Simplício. Um dia quando ambos caminhavam pelo jardim a prima colheu duas flores, uma rosa de Alexandria, e uma angélica, e as deu para que Simplício as reconhecesse, para isso ele as ergueu muito próximo ao olhos e acabou espetado no nariz pela rosa:

 “- Repara no que te ensina a rosa, e compreende quanto te pode aproveitar a miopia: as flores que jamais almejas distinguir e admirar não são as do nosso jardim, são as que enfeitam e enchem de magia os salões da sociedade, que não freqüentas, são as jovens formosas com que sonhas em sonhos doidos de amor ainda mais doidos; essas porém assemelham-se à rosa de Alexandria, têm espinhos que te despedaçariam o coração.”