“- Pobre moço, disse-me o velho;
já procurou o Reis?...”
Reis chama-se um homem que
não é rei, mas tem o poder de muitos reis. Reis como era descrito pelo amigo de
Simplício, tinha o segredo de dar olhos de águia aos míopes! Simplício ficou
emocionado com as palavras do velho, porque sempre sonhou em ver a luz e sair
das trevas na qual sempre enxergou.
A
sua vida toda, Simplício, contratou professores para aprimorar a sua
inteligência, e médicos para os seus olhos. Todos eles apenas sugavam o seu
dinheiro, e no final de longas aulas e tratamentos, tudo se resultava a nada
além do já esperado por Simplício. Porém, dessa vez, Simplício estava sentindo
que ia ser diferente, sentindo que esse tal de Reis tão bem elogiado poderia
superar o impossível..
Então, Simplício foi levado pelo bom velho até a casa desse mágico e mestre da ciência
ótica. Nenhum dos instrumentos do Reis lhe serviram, antes que a esperança se
perdesse por completo Reis comentou que tinha um empregado, um armênio (nascido
na Armênia), que dominava todas as línguas e era conhecido pelas suas
habilidades místicas.
“ - É melhor ser cego, do que ver demais. (...) Esta luneta é a
maravilha da magia: por ela verás demais no presente, e poderias ler no futuro,
mas o teu coração é bom, e a tua alma é pura, criança; alem de três minutos
verás a visão do mal, que o meu poder mágico não pode impedir. E essa luneta
fixada por mais de três minutos quebrará em tuas mãos.”
Simplício, transbordando de esperanças pegou a luneta se despediu do armênio e de Reis, e foi acompanhado pelo velho até em casa.
“ Pouco falta para romper a
aurora e brilhar o sol. Em breve experimentarei se vejo, como e quanto vejo.”
