Simplício
vive com sua tia, irmão e prima. Religiosa determinada tia Domingas o consolava
sempre que o via amargurando-se da vida. Suas consolações eram sempre de
acordo com as duas idéias religiosas. Para ela a miopia física é um imenso beneficio
da providência, porque assim
Simplício não se expõe as tentações do diabo, que ataca o pecador pelos
olhos. Devido a linha de
pensamentos da tia Domingas, Simplício se nega a dizer amém as consolações da tia: seria capaz
que ela pedisse a Deus pela completa bem-aventurança do sobrinho, o tornando surdo, mudo e paralítico. Afim de não ter meios de cair nas tentações.
Seu
irmão, mano Américo, é descrito como homem bondoso e de alma santa, que presta
o favor de administrar os negócios e finanças de Simplício. Sem jamais reclamar desse fardo:
“- Inocente
Simplício! Não serei tão egoísta que te abandone às ciladas dos homens
sem consciência, que devorariam a tua fortuna. A minha dedicação é na verdade
pesada; mas é um dever e Deus a abençoa.”
A prima Anica tem o apólogo como seu
capricho, consegue facilmente agradar Simplício. Um dia quando ambos caminhavam
pelo jardim a prima colheu duas flores, uma rosa de Alexandria, e uma angélica,
e as deu para que Simplício as reconhecesse, para isso ele as ergueu muito
próximo ao olhos e acabou espetado no nariz pela rosa:
“- Repara no que te ensina a
rosa, e compreende quanto te pode aproveitar a miopia: as flores que jamais
almejas distinguir e admirar não são as do nosso jardim, são as que enfeitam e
enchem de magia os salões da sociedade, que não freqüentas, são as jovens
formosas com que sonhas em sonhos doidos de amor ainda mais doidos; essas porém
assemelham-se à rosa de Alexandria, têm espinhos que te despedaçariam o
coração.”
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