15 de abr. de 2012

O mágico

“- Pobre moço, disse-me o velho; já procurou o Reis?...”

Reis chama-se um homem que não é rei, mas tem o poder de muitos reis. Reis como era descrito pelo amigo de Simplício, tinha o segredo de dar olhos de águia aos míopes! Simplício ficou emocionado com as palavras do velho, porque sempre sonhou em ver a luz e sair das trevas na qual sempre enxergou.
      A sua vida toda, Simplício, contratou professores para aprimorar a sua inteligência, e médicos para os seus olhos. Todos eles apenas sugavam o seu dinheiro, e no final de longas aulas e tratamentos, tudo se resultava a nada além do já esperado por Simplício. Porém, dessa vez, Simplício estava sentindo que ia ser diferente, sentindo que esse tal de Reis tão bem elogiado poderia superar o impossível..
    Então, Simplício foi levado pelo bom velho até a casa desse mágico e mestre da ciência ótica. Nenhum dos instrumentos do Reis lhe serviram, antes que a esperança se perdesse por completo Reis comentou que tinha um empregado, um armênio (nascido na Armênia), que dominava todas as línguas e era conhecido pelas suas habilidades místicas. 

      Foi então que ainda esperançoso Simplício pediu que Reis chamasse esse tal empregado, para que ele o ajudasse. Armênio, muito prestativo e confiante em sua mágica, deixou bem claro que não se importaria em ajudar um homem inocente, mas antes alertou:

“ - É  melhor ser cego, do que ver demais. (...) Esta luneta é a maravilha da magia: por ela verás demais no presente, e poderias ler no futuro, mas o teu coração é bom, e a tua alma é pura, criança; alem de três minutos verás a visão do mal, que o meu poder mágico não pode impedir. E essa luneta fixada por mais de três minutos quebrará em tuas mãos.”

      Simplício, transbordando de esperanças pegou a luneta se despediu do armênio e de Reis, e foi acompanhado pelo velho até em casa.

“ Pouco falta para romper a aurora e brilhar o sol. Em breve experimentarei se vejo, como e quanto vejo.”



Nenhum comentário:

Postar um comentário