“Mas, eu o confesso, a própria visão do bem não é isenta de
inconvenientes, e a cada
dia que passava, alguma nova contrariedade vinha perturbar a
doce vida que eu vivia.”
Um dia resolveu observar a verdade dentro do interior dos
condenados por crimes horríveis, mas todos eram inocentes. Resolveu fitar então
os condenadores, porém esses também tinham sentenciado com acerto! Simplício
tentava entender a contradição, chegando a duas possíveis soluções: ou provas
fortíssimas, porém de falsidade infelizmente não conhecida, tinham, condenando
os réus, justificado os juizes; ou a sua luneta mágica mentia e o enganava com
a visão do bem. Mas é claro que ele acreditou na primeira hipótese.
“ Quando meu irmão entrou para jantar, tinha eu a luneta
fixada, e quase o desconheci, tão descomposta pela cólera estava a sua
fisionomia.
Ele avançava sobre mim; mas eu escondi no seio a luneta, e a
tia Domingas e a prima Anica vieram correndo em meu socorro.
—Que é isto? perguntou a primeira assustada.
—É este doido, este frenético esbanjador, que em menos de
dois meses atirou ao meio da rua trinta e dois contos de reis!...
—Misericódia! exclamou a tia Domingas.
—É possível?... disse Anica, perguntando-me.”
A família do pobre Simplício apenas estava tentando protege-lo dos lábios das interesseiras e das garras dos caluniadores, onde
ambos o roubavam e o convenciam de suas mentiras. Porém, Simplicio por achar que estava certo, não gostou de ver mano Américo se metendo na sua
vida; e brabo por estar proibido, como criança pequena, de sair de casa fugiu
por uma janelinha nos fundos.
Agora Simplício vagava pela cidade, e questionava os motivos de
tantas contradições, muitos diziam que ele estava sendo zombado como ridículo:
pelas péssimas companhias que andava e pelos boatos que corria pela cidade,
onde Simplício era roubado sem nem perceber ou suspeitar do que seus “amigos”
faziam.
"Será que a minha luneta mente?"
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