23 de abr. de 2012

Nos perderemos entre monstros da nossa própria criação? Serão noites inteiras, talvez por medo da escuridão. Ficaremos acordados, imaginando alguma solução: pra que esse nosso egoísmo, não destrua nosso coração

      “Mas, eu o confesso, a própria visão do bem não é isenta de inconvenientes, e a cada
dia que passava, alguma nova contrariedade vinha perturbar a doce vida que eu vivia.”

Um dia resolveu observar a verdade dentro do interior dos condenados por crimes horríveis, mas todos eram inocentes. Resolveu fitar então os condenadores, porém esses também tinham sentenciado com acerto! Simplício tentava entender a contradição, chegando a duas possíveis soluções: ou provas fortíssimas, porém de falsidade infelizmente não conhecida, tinham, condenando os réus, justificado os juizes; ou a sua luneta mágica mentia e o enganava com a visão do bem. Mas é claro que ele acreditou na primeira hipótese.

“ Quando meu irmão entrou para jantar, tinha eu a luneta fixada, e quase o desconheci, tão descomposta pela cólera estava a sua fisionomia.

—Quebra essa luneta! exclamou furioso e com voz de trovão.

Ele avançava sobre mim; mas eu escondi no seio a luneta, e a tia Domingas e a prima Anica vieram correndo em meu socorro.

—Que é isto? perguntou a primeira assustada.

—É este doido, este frenético esbanjador, que em menos de dois meses atirou ao meio da rua trinta e dois contos de reis!...

—Misericódia! exclamou a tia Domingas.

—É possível?... disse Anica, perguntando-me.”

      A família do pobre Simplício apenas estava tentando protege-lo dos lábios das interesseiras e das garras dos caluniadores, onde ambos o roubavam e o convenciam de suas mentiras. Porém, Simplicio por achar que estava certo, não gostou de ver mano Américo se metendo na sua vida; e brabo por estar proibido, como criança pequena, de sair de casa fugiu por uma janelinha nos fundos.
     Agora Simplício vagava pela cidade, e questionava os motivos de tantas contradições, muitos   diziam que ele estava sendo zombado como ridículo: pelas péssimas companhias que andava e pelos boatos que corria pela cidade, onde Simplício era roubado sem nem perceber ou suspeitar do que seus “amigos” faziam.

"Será que a minha luneta mente?"

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