22 de abr. de 2012

Quem muito quer nada tem

O armênio havia recomendado a Simplício que ele não utilizasse a luneta por mais de três minutos, mas Simplício não obedeceu. O mágico proibiu ele de fixar a luneta por mais de treze minutos, porque senão ele viria a visão do futuro e  a luneta se despedaçaria em suas mãos.

“ A visão do futuro!... é a que eu aspiro, o que ardentemente agora desejo.
Mas o futuro que eu principalmente e antes de tudo almejava conhecer, era o meu.”

    Correu para o espelho e fitou seu reflexo: se viu pálido, depois começou a ver a visão do mal, que chega antes da do futuro: Simplício era perverso, caluniador, inimigo dos homens; respira, vive e semeia o mal.Se viu venenoso como a pior das serpentes, se viu morder em delírio todos os seres da criação, e maldito, ultrajando a Deus, por ser o criador. Soltou um grito e apertou com os dedos a luneta, a despedaçando.
    E mas uma vez, ocorreu o previsto pelo armênio. Simplício voltou a cegueira e seus parentes mesmo felizes com o que aconteceu, tentavam consolar  o novamente míope físico. Durante semanas planejava em voltar ao  armazém do Reis, porei não tinha coragem, pois egoísta e ingrato, nem se quer os procurou para agradecer depois de testar a sua luneta!
    Ficou por semanas as cegas em casa, refletindo sobre as suas experiências e formando opiniões sobre as pessoas. Ao cair de uma tarde resolveu sair de casa, não queria sair a luz do dia, pois estava cansado de escutar os comentários do publico sobre a sua pessoa. E para ele por ser quase cego, pouco importava aos seus olhos o horário que ele sai de casa, pois pouco diferenciava de andar na noite e no dia.
 Andando pela cidade encontrou seu grande amigo Reis, esse já sabia que a luneta de Simplício havia sido quebrada, pois armênio no mesmo dia disse que a salamandra (utilizada para forjar a luneta) se libertou. E o Reis acrescentou também que o armênio esperava pela visita de Simplício que receberia pela segunda vez a luz para seus olhos.

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