“Não posso mais ser feliz: é
impossível. Aborreço a todos, e todos me aborrecem.”

Durante meses vendo o interior das pessoas, dos objetos e
dos animais, Simplício não conseguiu encontrar uma alma sã, um coração que
tenha o bem; estava cercado do mal, e além disso, cercado também por pessoas
que o zombavam de mentiroso e doido. Isso se deu porque Simplício, quando ainda
confiava em todos, contou a um amigo, senhor Nunes, os efeitos da luneta
mágica. E Nunes traidor espalhou para todos, que caíram de gargalhadas e passaram
a chamar o Simplício de mentiroso, porém assim como todos diziam que não
acreditavam no poder da luneta, eles também mostravam o contrario, porque na
rua não permitiam que Simplício os fitassem, se escondiam, não queriam seus
segredos e suas verdades expostas a homem algum.

E
Simplício tanto que procurou uma jovem para amar e ser feliz, todas, até as com
olhos e contornos mais angelicais, não passavam de mulheres frias transbordando
de ódio e momentos ruins a espera de um marido para descontarem suas
insatisfações e sonhos não realizados. Simplício procurou também por muito
tempo um novo administrador de suas finanças, outra busca em vão. Todos, sem
mínimos princípios diferentes queriam apenas desviar dinheiro e enriquecer a
custa de seus clientes. Então Simplício deixou sua herança nas mãos do Américo
mesmo, porque preferível ser roubado pelo irmão que por um desconhecido.
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