22 de abr. de 2012

À procura, sem sucesso, da felicidade

“Não posso mais ser feliz: é impossível. Aborreço a todos, e todos me aborrecem.”

Durante meses vendo o interior das pessoas, dos objetos e dos animais, Simplício não conseguiu encontrar uma alma sã, um coração que tenha o bem; estava cercado do mal, e além disso, cercado também por pessoas que o zombavam de mentiroso e doido. Isso se deu porque Simplício, quando ainda confiava em todos, contou a um amigo, senhor Nunes, os efeitos da luneta mágica. E Nunes traidor espalhou para todos, que caíram de gargalhadas e passaram a chamar o Simplício de mentiroso, porém assim como todos diziam que não acreditavam no poder da luneta, eles também mostravam o contrario, porque na rua não permitiam que Simplício os fitassem, se escondiam, não queriam seus segredos e suas verdades expostas a homem algum.
            E Simplício tanto que procurou uma jovem para amar e ser feliz, todas, até as com olhos e contornos mais angelicais, não passavam de mulheres frias transbordando de ódio e momentos ruins a espera de um marido para descontarem suas insatisfações e sonhos não realizados. Simplício procurou também por muito tempo um novo administrador de suas finanças, outra busca em vão. Todos, sem mínimos princípios diferentes queriam apenas desviar dinheiro e enriquecer a custa de seus clientes. Então Simplício deixou sua herança nas mãos do Américo mesmo, porque preferível ser roubado pelo irmão que por um desconhecido.


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