22 de abr. de 2012

Refletindo

Achamos muito inteligente o raciocínio de Simplício quando ele diz que vai usar a visão do mal como forma de se prevenir do mal. Para quem se dizia míope moral, ou seja, servo das idéias dos outros, incapaz de raciocinar com clareza; ele realmente nos surpreendeu.
Na verdade Simplício, para nós, não tinha realmente miopia moral, ele achava isso porque quando cego, acreditava muito na bondade e tinha muita boa fé nas palavras de todos. Por não conseguir enxergar nos olhos das pessoas, ele não percebia se elas mentiam ou diziam a verdade, sendo que, Simplício era também um homem muito inocente e de coração puro, sendo assim era incapaz de ver nos outros aquilo que não havia em si: o mal.
Será mesmo que todos os parentes de Simplício eram realmente aquilo que ele descrevia? Será que essa luneta não distorce o bem das pessoas em qualidades ruins e projeta somente a maldade em todos?
Na nossa opinião ela destaca e reforça o lado negativo de tudo, e oculta o positivo, não é possível que, por exemplo, seus parentes que sempre foram prestativos e atenciosos com Simplício tenham na verdade apenas interesses em relação a ele. Talvez isso possa ser possível, mas, será mesmo que tudo, desde o sol que abastece e alimenta, até o beija-flor que poliniza, sejam um complexo de maldade!?
Tem um ditado popular que diz que “a maldade está nos olhos de quem vê”, e é verdade, faz sentido, principalmente associando a Simplício, não que ele seja mal, não bem pelo contrario, queremos dizer que a maldade não está no seu olho; está no olho que o permite ver: a luneta!!
Como poderia ele ver o bem em algo que só mostra o mal? Se essa luneta mostra a visão do mal, não há o porque, dela mostrar o bem. O que justifica os meses, que ele passou procurando em tudo e todos e não encontrou nada nem perto do que queria: o bem.

Um comentário:

  1. Belas ponderações! Confiar em toda a visão é o maior dos males, mesmo quando ela parece nos mostrar o que menos queremos ver. É preciso justa medida!

    ResponderExcluir